Super Mario - O filme - Crítica de Cinema

Quebrando o já tão consolidado paradigma na indústria cinematográfica de que filmes baseados em jogos são um desastre, Super Mario Bros. - O Filme (5 de abril de 2023), dirigido pela dupla Aaron Horvath e Michael Jelenic, surpreende-nos com um filme divertido, nostálgico, lindo e extremamente fofo.
O filme, conta-nos a história da mais famosa dupla de irmãos dos games: Mario e Luigi, dois encanadores em princípio de carreira, que, de forma inesperada, acabam caindo no reino dos cogumelos, governado pela bela princesa Peach. Todavia, Bowser, rei dos Koopas, possui planos para destruir o reino da princesa. Cabe a nossa consagrada dupla salvá-lo.
A primeira coisa a realçar-se é a incrível trilha sonora que revesa entre músicas já aclamadas, como "Take on me" e "Holding Out for a Hero", e arranjos magníficos das já consagradas trilhas de Super Mario, que lhe dão um ar nostálgico, sem deixar de ser novo.
A animação linda e viva impressiona. Além da estética fofa e carismática — padrão Ilumination de animações — que encanta não só as crianças, mas também os adultos. Todavia, o estilo padronizado do estúdio falha pela falta de originalidade, apesar da beleza.
Contudo, infelizmente nem tudo são mares de rosas. O roteiro peca pelo excesso de simplicidade e pela previsibilidade. O filme mal principia e já logo captamos todo o desenvolvimento da trama. Essa simplicidade, porém, pode ser justificada pela dificuldade em unir de maneira natural os elementos caóticos e desconexos do universo de Mario (italiano encanador que quebra blocos e salva uma princesa de uma tartaruga dragão gigante?).
Ademais, o filme é recheado de easter eggs e fan services que encantam os mais velhos fãs da franquia, sem chegar ao exagero, não causando fastio, como noutros filmes do gênero.
A direção também revela muito respeito ao universo e à mitologia de Mario. As personalidades tradicionais são mantidas, todos os principais elementos que adoramos estão presentes, personagens secundárias assumem papeis relevantes.
Estranhamos, porém, a naturalidade com que as personagens humanas aceitam a loucura do novo universo que se lhes apresenta, sem qualquer tipo de estranheza ou relutância. Tudo isso faz com que o roteiro seja ainda mais conveniente e artificial em certos momentos.
O vilão extremamente simpático e cativante consegue atemorizar sem deixar de encantar. Muito além de simplesmente ser malvado sem qualquer tipo de justificava, há uma grande humanização da sua personalidade. Esse seu lado mais frágil e sensível serve-nos de alívio cômico.
(PEQUENO SPOILER) A princesa surge, no filme, emponderada e ativa, pois, desta vez, Luigi é o refém de Bowser. Essa escolha original, torna a narrativa mais interessante, apesar de ofuscar a figura de Luigi, que é pouco desenvolvida, sendo restrita ao mero arquétipo de irmão medroso do Mário, enquanto, no princípio da trama, ficamos crentes de que ele será um grande protagonista e que a história seria uma aventura entre irmãos. Mera ilusão.
Enfim, um ótimo filme para assistir com os filhos, que amarão a simplicidade e a fofura, e com os mais velhos, que adorarão o tom nostálgico e as referências presentes no filme.
