O Ilustrador
08-01-2023

Chegou; sentou-se; abriu um caderno em branco; desembanhou a sua caneta, o cheiro de tinta preencheu o escritório e, então, pôs-se prontamente a fazer traçados delicados, delineando suavemente a silhueta magnífica que contemplara. A cada pincelada o desenhista esboçava todos os sentimentos do seu coração perplexo, tentando reproduzir rapidamente a impressão nítida e divina daquele corpo escultural e marmóreo. Apressava-se a ilustrá-lo antes que se olvidasse da figura hercúlea que vira, como quem se esforça para não esquecer o sonho edênico que teve na noite derradeira.
